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Chove no Paraíso.

E faz frio.

Eu estou num hotel por tempo indeterminado.

Mas estou realmente contente com todos os desafios que se avizinham: encontrar uma casa, comprar móveis, decorá-la, começar no emprego novo, ter novos colegas de trabalho, novos amigos…

Eu e o Paraíso estamos nos entendendo bem. É uma sensação estranha. De ser a única pessoa da sua família nas redondezas. E que seu único contato aqui seja uma conhecida de um ex-amigo de vinte anos de idade.

 

Volto quando tiver uma casa com internet.

Dentro de 20 dias essa será minha nova casa.

Por razões óbvias, os dias andam simplesmente lotados. Volto quando der.

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Letra

Tradução

(Ao invés de “apenas respire”, eu prefiro “mantenha-se vivo”, “agüente firme”, ou algo do gênero. Acho que transmite melhor a mensagem da música. Traduzir é uma arte que nem todos dominam. Tsc!)

“E então, de alguma maneira improvável e quando menos se espera, o mundo volta a se endireitar…”

Essa frase é uma das muitas que Meredith Grey usou ao narrar os episódios de Grey’s Anatomy , a minha série de tv favorita (e a única que eu assisto) e da qual ela é a personagem principal. Como eu não vejo tv em absoluto, assisto os capítulos pela internet.

Eu acho que todo mundo que passou por esse blog nos últimos meses percebeu que algo de grave, ou no mínimo estranho, estava acontecendo do lado de cá da tela.

Tive depressão. Que foi clinicamente diagnosticada e está sendo medicamente tratada.

E eu tive que suportar, além da minha própria resistência a médicos, hospitais, remédios e etc. (não tomo remédio nem contra dor de cabeça e gripe, vejam vocês), o preconceito de amigos bem intencionados que diziam que eu não precisava de uma psiquiatra ou remédios (Lord of mercy!!) tarja-preta.

Eu não sou uma pessoa crédula em absoluto. Não acredito no que me dizem, no que pensam, no que falam por aí, não acredito em muita gente, não acredito em muita coisa. Mas eu tenho um traço obsessivo. E, desde que eu admiti que precisava de ajuda médica, passei a pesquisar TUDO a respeito. Li todos os artigos sobre o assunto que pude encontrar. E depressão se cura com remédios (associados a terapia). Simples assim. Por mais que meus bem intencionados amigos acreditassem que eu só precisava sair de casa e “me divertir um pouco, pra variar”, não é assim que funciona. Um desequilíbrio químico não se cura com “salir de copas y pasarlo bien”

Pois bem. Depois de três bem sucedidos meses de tratamento medicamentoso e psicoterapêutico, as coisas começam a se encaixar em seus devidos lugares. Isso não quer dizer que eu me sinto bem, feliz, contentinha como uma estúpida adolescente porque estou tomando as “pílulas da felicidade” (malogrado esforço de definição de alguém nem tão bem intencionado). Só me sinto…capaz. De superar. De deixar tudo isso para trás. De realizar. De bater metas (as profissionais então! Que sempre foram minha especialidade).

Aprendi que preciso “viver o luto” e não engolir as lágrimas depois de uma decepção porque “chorar não pode fazer bem a uma pessoa que já está deprimida”. Aprendi que existem duas mulheres e que ambas são eu: a do “concreto do mundo” que é uma “realizadora”, e a da minha cabeça que é uma “fracassada”. Ambas existem e eu tenho que descobrir o que fazer com elas. Uni-las? Equilibrá-las? Matar uma e deixar sobreviver a outra? I don’t know. Yet.

Eu tenho uma porção de histórias pra contar que justificam porque eu passei a minha vida inteira sobrevivendo apesar de estar tão…quebrada, mesmo sem parecer. Essa, aliás, é a melhor parte: passei a vida fingindo ser alguém alegre e normal, comunicativa e rainha da festa, popular e simpaticona, quando na verdade eu sempre soube que estava quebrada, que eu sou os destroços de infinitas escolhas erradas de outrem.

Fingia, talvez, porque existe outra frase que eu gosto muito e diz assim: “Nós somos isso: o resultado de nossas histórias de vida. Somos esses escombros. E? Não se pode passar a vida culpando nosso passado por sermos quem somos. Uma hora é preciso dar a volta por cima. A pergunta é: o que faremos disso, desses escombros?”. E não foi a Meredith Grey quem disse isso, fui eu mesma…hohohoho

Mas fingir não resolveu e a coisa explodiu na minha cara. Eu sempre soube que aconteceria. Consegui prever até o momento em que aconteceria. Só fui pega de surpresa pela intensidade. Porque quando alguém que sempre teve uma vida social excessivamente movimentada fica dois meses sem sair de casa nem pra dar bom dia à rua, é hora de buscar ajuda.

Pois, aqui estamos nós. “Em ajuda”

Dói ainda. Principalmente porque eu ando vivendo alguns “lutos”. E tenho chorado como nunca antes.”Big girls don’t cry”, segundo Fergie. Fergie, darling, you are stupid.

Big girls costumam ter grandes problemas. E eu tenho uma lista. Uma big lista…hohoho

Mas esse não é o ponto. O ponto é que sou uma S O B R E V I V E N T E.

Yeah!

P.S:Juro que esse post não era para ser tão longo. But, whatever.

P.S II: O meu inglês é sofrível. Tantas palavras em inglês só pode ser influência de ter visto tantos capítulos da série um atrás do outro enquanto minha irmã esteve de férias por aqui.

P.S III: Mais uma da Meredith Grey: “Não se pergunte porque as pessoas enlouquecem. Se pergunte porque não enlouquecem. Frente ao que podemos perder num dia, num instante, se pergunte que diabos é isso que nos faz manter a razão”.

Fim de semana

Salvador - Rio - Angra dos Reis - Rio - Salvador

Apenas eu.
Tudo muito pouco e eu tendo que aprender a tornar isso suficiente.
Uma tarefa árdua.

Matemática

6 + 9 + 18 + 16 + 5,20 = 4

:-)
Hohohohoho, Lucy, não é um orçamento. É o resultado de uma prova. Sem mais detalhes por hora…

Intensa

É o que sou: intensa. Causo tensão por isso mas não sou tensa não. Quero tudo por inteiro, profundo, mais que verdadeiro. Gosto das pessoas como são, com seus problemas e crises, ou sem nada disso. Aceito-as, desde que por inteiro, para bem ou para mal.

Meias palavras, meias relações: quando sabia ser assim não gostava. Não sei mais. Isso é bom? Já perdi amigos, outros conquistei. Sei que sou mais feliz depois da troca. Posso ser eu, sem segurar a onda para agradar quem quer que seja. Afinal, gostem de mim como sou, ou desgostem, ou nem gostem.

Acho que em muitos momentos assusto aos desavisados. Não é por mal, mas pelos instantes. Não sei mesmo esperar. Ansiedade é uma característica difícil de conviver. Eu com a minha, o que pensar de alguém com a minha?! Beira o impossível.

Gosto de aproveitar o tempo, porque ele pode sim se esvair. Me jogo, cabeça pronta a se estatelar no chão. E daí? Sofro quando não necessariamente teria motivos aos olhos dos mais precavidos, sabidos. Não faço tempestade em copo d’água, isso jamais. Sei discernir problemas de PROBLEMAS, mas, por sentir demais, subo muito alto. E meus tombos são os maiores.

* Escrito originalmente em 2003, em resposta a um post de F.Vanzo. Algo mudou desde então…

Equivocaciones

Las equivocaciones nos hacen personas, así aprendemos.

La felicidad está en las cosas que no planeas, en las que no ves venir.

Coração sucateado

Não tenho mais saúde para lançar-me ao mundo com o coração desprotegido. Nem saúde emocional, nem saúde física. (Porque o meu coração é o orgão mais sucateado do meu corpo. Ganha disparado dos meus dois joelhos detonados).

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Hiro

“Você dá a eles uma parte de você. Eles não estão pedindo. Eles fazem coisas tolas, um dia, como lhe beijar ou lhe sorrir, e de repente sua vida já não é mais sua”

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